quinta-feira, 1 de abril de 2010

manchetes de hoje

As manchetes de hoje segundo o blog Apocalipse Motorizado

Lula aumenta IPI para automóveis
Depois de quase um ano de mamata, imposto sobe em média 40% para os carros particulares. Compradores de SUVs pagarão até 70% mais de imposto que os demais.

Governo do Estado vai remover a Nova Marginal em 10 meses
Último decreto de Serra no governo prevê transformação das pistas em parque e ciclovia. Estudo indica a mesma solução para a “pista expressa”

Serra assume: “Nova Marginal foi o meu Minhocão”
Arrependido, Governador promete ainda investigar supostos desvios de verba da obra para caixa de campanha e diz que o reinado das construtoras acabou em São Paulo

Maluf se arrepende: “O Minhocão foi a minha Nova Marginal”
Ex-governador diz que jamais teria construído a pista expressa se soubesse a degradação que ela provocaria no centro da cidade

Alexandre de Moraes renuncia aos três cargos e três carros que ocupa
Ex multi-secretário declarou que só vai andar a pé e de transporte público e promete se dedicar apenas ao estudo do Código de Trânsito Brasileiro no próximo ano

Estacionar em São Paulo: só de um lado da rua
Estacionamento em espaço público será banido em diversas vias da capital. Áreas ganharão calçadas largas e faixas para bicicletas. “Se você tem um carro, deve ser responsável por encontrar um lugar privado para guarda-lo”, afirma novo presidente da CET

Denatran proibe vidros escuros em todo o país
Órgão afirma que o “insul-film” é uma das maiores ameaças à segurança nas ruas, colocando em risco especialmente pedestres e ciclistas

Paulistanos são os que mais respeitam a faixa de pedestres
Pesquisa revela que os motoristas da capital lideram o ranking de metrópoles onde o respeito à vida é mais importante que a pressa

Transporte coletivo terá tarifa zero a partir de maio
Gratuidade começa a vigorar no Dia do Trabalhador e será subsidiada pelo IPVA, pela arrecadação dos pedágios e multas de trânsito. Medida também deve acabar com a máfia do transporte na capital.

“Carros movidos a eletricidade e hidrogênio são engambelações da indústria automobilística”, afirma presidente da Fiat
Em coletiva na sede da empresa, representante da montadora diz que indústria automobilística se aproxima de Hollywood ao propagar soluções de ficção científica. O executivo aponta o espaço ocupado e a degradação do ambiente urbano como os maiores impactos do automóvel nas cidades

Jornais e revistas banem propagandas de automóveis
Em comunicado oficial, a ANJ declarou que as propagandas de veículos causam danos públicos irreparáveis, além de consumirem muito papel. Emissoras de TV estudam adotar a medida até o final do ano.

Expansão da rede sobre trilhos não será mais feita em ritmo eleitoral em SP
Inauguração de estações e linhas será feita periodicamente, e não apenas a cada quatro anos

Pelo terceiro ano consecutivo, nenhum ciclista foi morto em São Paulo
Diminuição no número de incidentes foi conquistada com a instauração do respeito à vida. Motoristas atestam: “reduzir a velocidade e ultrapassar as bicicletas mantendo uma distância segura é muito mais fácil do que se imagina”

Ferrovias: prioridade para todos os candidatos à Presidencia
Todos concordam: trens de passageiros e cargas são a iniciativa mais importante na área de transportes do Governo Federal. Estimativa é que as grandes e médias cidades do país estejam interligadas por trilhos em sete anos

Lula sanciona lei que reduz velocidade máxima nas áreas urbanas
Nas vias expressas, velocidade máxima será de 70km/h. Limite nas ruas e avenidas cai para 50km/h e nas áreas residenciais veículos não poderão ultrapassar os 40km/h. Expectativa é reduzir em até 70% o número mortes no trânsito.

Primeira linha de bonde em SP começa a funcionar em Junho
Ligação entre os bairros do Jabaquara e Pompeia é a primeira do projeto Vá de Bonde, que prevê 300km de trilhos nas principais avenidas da capital até a metade de 2011

São Paulo atinge 50 km de calçadas reformadas por mês
Média é alcançada depois do poder público assumir a responsabilidade pelas áreas de pedestre, e não apenas pelas faixas de circulação de veículos

Metrô e CPTM adaptam vagões e liberam entrada de ciclistas todos os dias da semana
Otimização do espaço nos trens permite que até 4 bicicletas sejam transportadas nos vagões sem atrapalhar os passageiros. Estações também terão rampas para as bicicletas nas escadas até o final do mês

Prédios construídos perto do metrô: uma vaga de garagem por apartamento
Lei aprovada pela Câmara estabelece que novas construções em um raio de até 6km de estações do metrô só podem ter uma vaga por apartamento. Kassab apoia e mercado imobiliário festeja a medida.

General Motors vai fabricar bondes e trens-bala
Montadora pretende adaptar 50% de suas fábricas para produzir trens de alta velocidade e bondes

Novo aumento nos combustíveis: litro da Gasolina vai a R$ 9,50 e Álcool sobe para R$7,30
Gás natural também fica mais caro a partir de segunda-feira. Alta causada pelo aumento de impostos sobre combustíveis deve proporcionar mais investimentos em transporte coletivo.

Concessionária vira parque na Zona Leste da capital
Revendedora que ocupava 3 mil metros quadrados será transformada em área de lazer. Com a queda nas vendas, mais de 150 lojas de veículos prometem seguir o exemplo

Centro de SP ganha 10 novos calçadões até o final do ano
Prefeitura irá banir os carros da região central, que tem o transporte coletivo mais abundante da cidade

Vereadores adotam o Dia Sem Carro duas vezes por semana na capital
Adesão de 100% inclui assessores e funcionários da Casa, que passarão a ter contato mais frequente com a realidade da cidade onde vivem. Governos Estadual e Federal devem adotar a medida em seis meses.

Veículo com alarme disparado poderá ser destruído por qualquer cidadão
“Lei Street Fighter” autoriza depredação cidadã em casos de alarmes que toquem por mais de 10 minutos. Prefeitura se compromete a encaminhar os destroços para a reciclagem em até 24h. Motorista infrator não poderá comprar outro veículo por dois anos. Medida deve ajudar a reduzir o número de automóveis nas ruas.

Praças de São Paulo: sem grades e com bancos
Kassab irá remover as cercas de todas as praças e instalar novos bancos com encostos em todas as áreas de lazer municipais. “Sabemos que a violência não será resolvida impedindo as pessoas de usarem os espaços públicos”, declarou o prefeito.

Avenidas construídas sobre córregos e rios terão faixas para bicicletas e parques lineares em 12 meses
Vias nas áreas mais planas da capital serão adaptadas para o uso de bicicleta. Prefeitura cria grupo de estudos para desenterrar 40% dos rios da cidade.

Centro de São Paulo revive após derrubada do Minhocão
Dois meses depois da via expressa ser removida, bares, centros culturais e áreas para pedestres ajudam a revitalizar a região

Empresas de blindagem apresentam prejuízo recorde pelo terceiro ano consecutivo
Setor está praticamente falido em São Paulo. Reocupação dos espaços públicos, uso do transporte coletivo e caminhadas até o trabalho reduziram a violência e tornaram os bairros mais seguros

Frota paulistana de helicópteros será adaptada para voos panorâmicos
Com a falência do transporte de executivos, últimas 15 aeronaves da capital serão inteiramente adaptadas para vôos turísticos

Paulistano lota coberturas públicas para ver a lua cheia
Transformação de terraços privados em áreas abertas à visitação pública permitiu que 3 milhões de paulistanos acompanhassem o nascer da lua na última terça-feira

Última torre de condomínio de luxo é demolida na capital
Decadente e tomado pela criminalidade de colarinho branco, condomínio “Parque” Cidade Jardim  dará lugar a moradias populares, campo de futebol de várzea e horta comunitária

1 milhão de ciclistas devem deixar a capital no feriado de Páscoa
Rotas cicloturísticas até o litoral devem receber o maior movimento. CPTM informou que haverá esquema especial de trens no domingo para trazer os ciclistas de volta

Taxista e motorista de ônibus intermunicipal dividem prêmio Motorista Cidadão
Vencedores ganharão uma viagem de trem até o litoral maranhense



sábado, 20 de fevereiro de 2010

o maestro cibernético


Aleksey Igudesman & Sebastian Gürtler, together with the Upper Austrian Youth Orchestra in a project called "The Cyber Conductor".
www.musicandcomedy.com
www.ooejo.eduhi.at
www.sebastian.amarcord.at




sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Médicos de Cuba no Haiti: a solidariedade silenciada


Adital : 11.02.10 : CARIBE

José Manzaneda *

Tradução: ADITAL


[Esse texto, traduzido por Adital, é o roteiro do seguinte vídeo, em espanhol: http://www.cubainformacion.tv/index.php?option=com_content&task=view&id=13417&Itemid=86

Você pode inserir seus comentários sobre o vídeo no YouTube e participar no debate: http://www.youtube.com/watch?v=6DikHDHXvL0]


Os aproximadamente 400 cooperantes da Brigada médica cubana no Haiti foram a mais importante assistência sanitária ao povo haitiano durante as primeiras 72 horas após o recente terremoto. Essa informação foi censurada pelos grandes meios de comunicação internacionais.


A ajuda de Cuba ao povo haitiano não começou por ocasião do terremoto. Cuba atua no Haiti desde 1998 desenvolvendo um Plano Integral de Saúde(1), através do qual já passaram mais de 6.000 cooperantes cubanos da saúde. Horas depois da catástrofe, no dia 13 de janeiro, somavam-se à brigada cubana 60 especialistas em catástrofes, componentes do Contingente "Henry Reeve", que voaram de Cuba com medicamentos, soro, plasma e alimentos(2). Os médicos cubanos transformaram o local onde viviam em hospital de campanha, atendendo a milhares de pessoas por dia e realizando centenas de operações cirúrgicas em 5 pontos assistenciais de Porto Príncipe. Além disso, ao redor de 400 jovens do Haiti formados como médicos em Cuba se uniam como reforço à brigada cubana(3).


Os grandes meios silenciaram tudo isso. O diário El País, em 15 de janeiro, publicava uma infografia sobre a "Ajuda financeira e equipamentos de assistência", na qual Cuba nem sequer aparecia dentre os 23 Estados que havia colaborado(4). A cadeia estadunidense Fox News chegava a afirmar que Cuba é dos poucos países vizinhos do Caribe que não prestaram ajuda.

Vozes críticas dos próprios Estados Unidos denunciaram esse tratamento informativo, apesar de que sempre em limitados espaços de difusão.


Sarah Stevens, diretora do Center for Democracy in the Americas(5) dizia no blog The Huffington Post: Se Cuba está disposta a cooperar com os EUA deixando seu espaço aéreo liberado, não deveríamos cooperar com Cuba em iniciativas terrestres que atingem a ambas nações e os interesses comuns de ajudar ao povo haitiano?(6)


Laurence Korb, ex-subsecretário de Defesa e agora vinculado ao Center for American Progress(7), pedia ao governo de Obama "aproveitar a experiência de um vizinho como Cuba" que "tem alguns dos melhores corpos médicos do mundo" e com quem "temos muito o que aprender"(8).


Gary Maybarduk, ex-funcionário do Departamento de Estado propôs entregar às brigadas médicas equipamento duradouro médico com o uso de helicópteros militares dos EUA, para que possam deslocar-se para localidades pouco accessíveis do Haiti(9).


E Steve Clemons, da New America Foudation(10) e editor do blog político The Washington Note(11), afirmava que a colaboração médica entre Cuba e EUA no Haiti poderia gerar a confiança necessária para romper, inclusive, o estancamento que existe nas relações entre Estados Unidos e Cuba durante décadas(12)


Porém, a informação sobre o terremoto do Haiti, procedente de grandes agências de imprensa e de corporações midiáticas situadas nas grandes potências, parece mais a uma campanha de propaganda sobre os donativos dos países e cidadãos mais ricos do mundo. Apesar de que a vulnerabilidade diante da catástrofe por causa da miséria é repetida uma e outra vez pelos grandes meios, nenhum quis se debruçar para analisar o papel das economias da Europa ou dos EUA no empobrecimento do Haiti. O drama desse país está demonstrando uma vez mais a verdadeira natureza dos grandes meios de comunicação: ser o gabinete de imagem dos poderosos do mundo, convertidos em doadores salvadores do povo haitiano quando foram e são, sem paliativos, seus verdadeiros verdugos.


Quadro Informativo 1. Dados da cooperação de Cuba com o Haiti desde 1998:


- Desde dezembro de 1998, Cuba oferece cooperação médica ao povo haitiano através do Programa Integral de Saúde;


- Até hoje trabalharam no setor saúde no Haiti 6.094 colaboradores que realizaram mais de 14 milhões de consultas médicas, mais de 225.000 cirurgias, atendido a mais de 100.000 partos e salvado mais de 230.000 vidas


- Em 2004, após a passagem da tormenta tropical Jeanne pela cidade de Gonaives, Cuba ofereceu sua ajuda com uma brigada de 64 médicos e 12 toneladas de medicamentos.


- 5 Centros de Diagnóstico Integral, construídos por Cuba e pela Venezuela, prestavam serviços ao povo haitiano antes do terremoto.


- Desde 2004 é realizada a Operação Milagre no Haiti e até 31 de dezembro de 2009 haviam sido operados um total de 47.273 haitianos.


- Atualmente, estudam em Cuba um total de 660 jovens haitianos; destes, 541 serão diplomados como médicos.


- Em Cuba já foram formados 917 profissionais, dos quais 570 como médicos. Cuba coopera com o Haiti em setores tais como a agricultura, a energia, a pesca, em comunicações, além de saúde e educação.


- Como resultado da cooperação de Cuba na esfera da educação, foram alfabetizados 160.030 haitianos.


Quadro 2. Dados das atuações do Contingente Internacional de Médicos Cubanos Especializados em Situações de Desastres e Graves Epidemias, Brigada "Henry Reeve", anteriores à cooperação no Haiti:


- Desde sua constituição, a Brigada Henry Reeve cumpriu missões em 7 países, com a presença de 4.156 colaboradores, dos quais 2.840 são médicos.


- Guatemala (Furacão Stan): 8 de outubro de 2005, 687 colaboradores; destes 600 médicos.


- Paquistão (Terremoto): 14 de outubro de 2005, 2 564 colaboradores; destes 1 463 médicos.


- Bolívia (inundações): 3 de fevereiro de 2006-22 de maio, 602 colaboradores; destes, 601 médicos.


- Indonésia (Terremoto): 16 de maio 2006, 135 colaboradores; destes, 78 médicos.


- Peru (Terremoto): 15 de agosto 2007-25 de março 2008, 79 colaboradores; destes, 41 médicos.


- México (inundações): 6 de novembro de 2007 - 26 de dezembro, 54 colaboradores; destes, 39 médicos.


- China (terremoto): 23 de maio 2008-9 de junho, 35 colaboradores; destes, 18 médicos.


- Foram salvas 4 619 pessoas.


- Foram atendidos em consultas médicas 3.083.158 pacientes.


- Operaram (cirurgia) a 18 898 pacientes.


- Foram instalados 36 hospitales de campanha completamente equipados, que foram doados por Cuba (32 ao Paquistão, 2 a Indonésia e 2 a Peru).


- Foram beneficiados com próteses de membros em Cuba 30 pacientes atingidos pelo terremoto do paquistão.

Notas:















Leia também em espanhol:
 
Enviamos médicos y no soldados (Fidel Castro Ruz, Enero 23 de 2010, 5 y 30 p.m.)


* Coordinador de Cubainformación


domingo, 7 de fevereiro de 2010

SÃO PAULO NA CONTRAMÃO


Marília Juste
07/02/10 - 07h00
pescado no Vi o Mundo


Na contramão de São Paulo, projeto nos EUA reverte rios à condição natural

Governo do Estado amplia as pistas na margem do Tietê. Enquanto isso, americanos tentam ‘desurbanizar’ oito rios.

Enquanto o governo de São Paulo amplia as pistas da Marginal do Tietê, nos Estados Unidos um projeto vai na direção contrária: tenta reverter rios do país ao estado original.


O objetivo, segundo os organizadores, não é apenas a preservação ambiental, mas também o bem estar da população. Rios preservados são fontes de água limpa e causam menos enchentes.

O projeto “Rios Sustentáveis” é uma iniciativa da organização The Nature Conservancy em parceria com o Corpo de Engenheiros dos Estados Unidos – órgão responsável pela gestão da maior parte dos recursos hídricos do país.

A proposta está sendo aplicada como teste em oito rios. O primeiro foi o Green River, no estado do Kentucky, que se estende por mais de 600 km, ligado a uma rede de cavernas e que abriga mais de 150 espécies diferentes de peixes. A criação de uma represa alterou o curso do rio, a temperatura da água e atrapalhou a reprodução dos peixes.

Com o projeto, os engenheiros estão revendo como a água é liberada da represa, para deixá-la mais próxima das condições naturais da área.

O Green River é muito diferente do rio Tietê. E, embora entre os rios do projeto existam alguns que passam por áreas urbanas, nenhum atravessa nada parecido com São Paulo, uma das maiores cidades do mundo.

Mas, para Andy Warner, coordenador do projeto, a proposta é apenas o primeiro passo. “Temos oito rios para teste, para mostrar que isso é possível. Mas nossa ambição é grande. Queremos levar isso para todos os rios dos Estados Unidos, mesmo nos grandes centros”, afirma Warner.

Para ele, a tendência mundial é essa: reduzir a urbanização e reverter os rios à sua condição natural. Mas isso seria possível em uma cidade com mais de 11 milhões de habitantes?

Para Warner, sim. “Na minha experiência, essa história de que há um conflito entre o social e o ambiental, entre o desenvolvimento e a preservação, é besteira. É perfeitamente possível – e desejável -- que os dois convivam pacificamente. É preciso pensar de maneira criativa”.

Mestre em ciência hídrica e formado em gestão de recursos hídricos, Warner explica que “rios precisam de espaço”. “As cidades precisam se desenvolver, mas não podem prensar seus rios. É preciso levar em conta o período das cheias e não invadir os locais que alagam em algumas épocas do ano quando eles estão secos”, afirma.

'Alternativa saudável'

Para o engenheiro ambiental Antônio Carlos de Oliveira, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o projeto americano é “uma alternativa saudável para minimizar os impactos causados pelo homem e a urbanização”. “É uma ação contrária ao que se está realizando na Marginal Tietê”, afirma.

Mas ele não acredita que algo parecido seja possível na cidade, ou mesmo em outros pontos do Brasil. “Não creio nessa possibilidade por várias razões, mas a principal é a crônica falta de planejamento urbano e as suas distorções”, disse.

 “Atualmente a população urbana brasileira é cerca de 90%, segundo dados do Ministério das Cidades. Esse grau de urbanização se deu de forma não controlada e contribuiu muito significativamente para a ocupação de áreas de risco, em morros e principalmente ao longo de córregos e riachos, pela população de menor poder aquisitivo. Ao longo dos anos, o poder público fez vista grossa a essa situação, de tal forma que o crescimento desordenado dessa ocupação em muito contribui para o aumento dos problemas atuais”, afirma o engenheiro.

"Uma ação de retomada dessas áreas pode significar um elevado custo social que poucos administradores poderão ou ousarão pagar”, avalia.

Tietê

A Dersa, responsável pela obra na Marginal Tietê, afirma que o governo vai plantar um total de 167 mil árvores no entorno da via, nos bairros próximos e no Parque Ecológico do Tietê, para compensar o impacto ambiental das novas pistas.

 “O aumento do verde propiciará redução da poluição e da temperatura média na região. Mais verde, somado a mais pistas e acessos, proporcionarão aos 1.700 usuários diários da Marginal Tietê uma via mais bonita, redução de 35% no tempo médio de viagem (que significa ainda redução da emissão de dióxido de carbano e melhoria da qualidade do ar) e no desperdício de combustível em aproximadamente 300 mil litros/dia”, afirmou a empresa em nota.

"Ainda como compensação pela obra, serão construídos 24 km da Estrada Parque com ciclovia, que integra o Projeto Várzeas do Tietê, da Secretaria de Energia e Saneamento, e que preservará a várzea do rio Tietê entre a barragem da Penha, em São Paulo, e o município de Salesópolis. Também estão sendo desenvolvidos projetos para mais três núcleos com infra-estrutura de lazer para a população”, informa a nota.

De acordo com a empresa, "a compensação ambiental da Marginal corresponde a 14% do valor da obra, o que a coloca entre as maiores do mundo”.


fonte

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

de cidadãos a prisioneiros


Democracy in America Is a Useful Fiction

por Chris Hedges*, no Common Dreams, por sugestão do Marco Aurélio
pescado no Vi o Mundo



As forças corporativas, bem antes da decisão da Suprema Corte no processo Cidadãos Unidos vs. Comissão Eleitoral Federal [nessa decisão, a maioria da Suprema Corte dos Estados Unidos reduziu os limites para as doações financeiras das corporações no processo político], deram um golpe de estado em câmera lenta. O golpe acabou. Perdemos. A decisão é apenas mais uma tentativa judicial de reduzir os mecanismos de controle corporativo. Expõe o mito de uma democracia em funcionamento e o triunfo do poder corporativo. Mas não altera o quadro politico. O estado corporativo está firmemente cimentado em seu lugar.


A ficção da democracia permanece útil, não apenas para as corporações, mas para nossa classe liberal falida. Se a ficção for seriamente desafiada, os liberais serão forçados a considerar a resistência, o que não será prazeiroso, nem fácil. Enquanto a fachada democrática existir, os liberais podem se engajar em posturas morais vazias que requerem pequeno sacrifício ou compromisso. Eles podem ser os líderes auto-indicados do Partido Democrata, agindo como se fossem parte do debate e se sentindo vingados com seus gritos de protesto.


Muito do protesto expresso sobre a decisão da Suprema Corte é ultraje daqueles que preferem essa coreografia. Enquanto ela existir, eles não precisam se preocupar em como combater o que o filósofo político Sheldon Wolin chama de nosso sistema de "totalitarismo invertido".

Ele representa "a chegada ao período do poder corporativo e da desmobilização política da cidadania", escreveu Wolin em seu livro Democracia Inc. O totalitarismo invertido difere das formas clássicas de totalitarismo, que giram em torno de um líder demagógico ou carismático, e encontra sua expressão no anonimato do estado corporativo. 

As forças corporativas por trás do totalitarismo invertido não fazem como os movimentos totalitários clássicos, que anunciam a substituição de estruturas decadentes por estruturas revolucionárias. O totalitarismo invertido supostamente honra a política eleitoral, a liberdade e a Constituição. Mas faz isso de forma tão corrupta e manipuladora das ferramentas do poder que torna a democracia impossível.

Totalitarismo invertido não é conceituado como uma ideologia, nem é tema de políticas públicas. Ele avança através de "autoridades e cidadãos que muitas vezes parecem não se dar conta das consequências de suas ações ou inações", Wolin escreve. Mas é tão perigoso quanto as formas clássicas do totalitarismo. Em um sistema de totalitarismo invertido, como a decisão da Suprema Corte ilustra, não é necessário reescrever a Constituição, como regimes fascistas ou comunistas fazem. É suficiente explorar os meios de poder legítimos através da interpretação legislativa ou judicial.


Essa exploração assegura que grandes contribuições de campanha das corporações sejam protegidas como "direito à liberdade de expressão" sob a Primeira Emenda [da Constituição dos Estados Unidos]. Assegura que a atividade lobista organizada e pesadamente financiada pelas grandes corporações seja interpretada como protegida pelo direito da população de peticionar ao governo. Aqueles que dentro das corporações cometem crimes podem evitar a cadeia pagando grandes somas de dinheiro ao governo enquanto, de acordo com a interpretação judicial, não "admitem qualquer crime". Existe uma palavra para isso. É chamado corrupção.


As corporações tem 35 mil lobistas em Washington e milhares mais em capitais estaduais para dar dinheiro, formatar e escrever leis. Elas usam os chamados comitês de ação política para obter de seus empregados e acionistas dinheiro para dar a candidatos amigáveis. O setor financeiro, por exemplo, gastou mais de 5 bilhões de dólares em campanhas políticas, ações de influência política ou lobistas na década passada, o que resultou em profunda desregulamentação, o furto de consumidores, o derretimento financeiro global e a pilhagem subsequente do Tesouro dos Estados Unidos.


Os Fabricantes e Pesquisadores Farmacêuticos dos Estados Unidos gastaram 26 milhões de dólares no ano passado e companhias como a Pfizer, Amgen e Eli Lilly deram dezenas de milhões mais para comprar os dois partidos. Essas corporações fizeram da assim chamada reforma do sistema de saúde uma lei que vai nos forçar a comprar produtos defeituosos e predatórios.


A indústria de gás e petróleo, a indústria do carvão, os empreiteiros da Defesa e as companhias de telecomunicações bloquearam a busca por energia sustentável e orquestraram a constante erosão das liberdades civis. Políticos defendem as corporações e promovem atos superficiais de teatro político para manter a ficção de que o estado democrático está vivo.

Não existe instituição nacional que possa ser caracterizada como democrática. Os cidadãos, em vez de participar do poder, podem ter opiniões virtuais sobre questões pré-determinadas, uma forma de fascismo participativo tão sem sentido quando votar no "American Idol" [o Big Brother dos Estados Unidos].


Emoções de massa são estimuladas nas chamadas "guerras culturais". Isso nos permite assumir posições emocionais em questões que são inconsequentes para a elite política.


Nossa transformação em um império, como aconteceu com Atenas e Roma, viu a tirania que praticamos no estrangeiro se transformar na tirania que praticamos em casa. Nós, como todos os impérios, fomos destruídos pelo nosso próprio expansionismo. Nós utilizamos armas de terrível poder destruidor, subsidiamos o desenvolvimento delas com bilhões de dólares de dinheiro público e somos os maiores vendedores de armas do mundo. E a Constituição, como Wolin nota, é usada "para servir aos aprendizes do poder, não como a consciência deles".


"O totalitarismo invertido inverte as coisas", Wolin escreve. "É política o tempo todo, mas largamente despotilizada. Disputas partidárias são ocasionalmente apresentadas em público e há a constante disputa entre facções de partidos, grupos de interesse, competidores corporativos e grupos de mídia rivais. E há, naturalmente, o momento culminante das eleições nacionais, quando a atenção da Nação é exigida para fazer a escolha entre personalidades, em vez de alternativas de poder. O que está ausente é o político, o compromisso de encontrar onde fica o bem comum no meio dos interesses bem financiados, altamente organizados e que com um mar de dinheiro vivo praticam a subversão do governo representativo e da administração pública".

Hollywood, a indústria de notícias e a televisão, todas controladas por corporações, se tornaram instrumentos do totalitarismo invertido. Eles censuram ou fazem ridículo daqueles que criticam ou desafiam as estruturas corporativas. Eles saturam as ondas com controvérsias fabricadas, seja [o escândalo envolvendo o golfista] Tiger Woods ou a disputa entre [os apresentadores de TV] Jay Leno e Conan O'Brien.


Eles manipulam imagens para nos fazer confundir sensações com conhecimento, que foi como Barack Obama se tornou presidente. E o controle interno empregado pelo Departamento de Segurança da Pátria, os militares e a polícia sobre qualquer forma de dissidência interna, junto com a censura da mídia corporativa, fazem pelo totalitarismo invertido o que as tropas de choque e as fogueiras de livros fizeram pelos regimes totalitários clássicos.


"Parece um replay da experiência histórica que a distorção praticada pela mídia de hoje tenha como alvo consistente as sobras do liberalismo", Wolin escreveu. "Faz-me lembrar que um elemento comum do totalitarismo do século 20, seja Fascismo ou Stalinismo, era a hostilidade em relação à esquerda. Nos Estados Unidos, a esquerda é considerada espaço exclusivo de liberais, ocasionalmente a "ala esquerda do Partido Democrata", nunca de democratas".


Liberais, socialistas, sindicalistas, jornalistas e intelectuais independentes, muitos dos quais um dia foram vozes importantes de nossa sociedade, foram silenciados ou foram alvo de eliminação dentro da universidade, da mídia e do governo controlados pelas corporações. Wolin, que foi professor em Berkeley e mais tarde em Princeton, é um dos mais importantes filósofos políticos do país. Ainda assim seu novo livro foi virtualmente ignorado. Também é por isso que Ralph Nader, Dennis Kucinich e Cynthia McKinney, assim como intelectuais como Noam Chomsky, não fazem parte de nosso discurso nacional.

A uniformidade de opiniões é reforçada pelas emoções orquestradas pelo nacionalismo e pelo patriotismo, que descrevem os dissidentes como "fracos" ou "não patriotas". O cidadão "patriota", com medo de perder emprego e de possíveis ataques terroristas, dá apoio ao monitoramento indiscriminado e ao estado militarizado. Isso significa não questionar o 1 trilhão de dólares em gastos relacionados à defesa. Isso significa manter as agências militares e de inteligência acima do governo, como se não fizessem parte dele. Os mais poderosos instrumentos do poder e do controle estatais foram removidos das discussões públicas.

Nós, como cidadãos imperiais, somos ensinados a desprezar a burocracia governamental; ainda assim, ficamos como carneiros diante dos agentes da Segurança da Pátria em aeroportos e ficamos mudos quando o Congresso permite que nossa correspondência e nossas conversas sejam monitoradas e arquivadas. Estamos sob maior controle estatal do que em qualquer outra época da História americana.


A linguagem cívica, patriótica e política que usamos para nos descrever permanece a mesma. Demonstramos lealdade aos mesmos símbolos nacionais e iconografia. Encontramos nossa identidade coletiva nos mesmos mitos nacionais. Continuamos a deificar os Pais Fundadores. Mas os Estados Unidos que celebramos é uma ilusão. Não existem. Nosso governo e nosso judiciário não tem soberania. Nossa imprensa oferece diversão, não informação. Nossos órgãos de segurança e poder nos mantém tão domesticados e amedrontados quanto a maioria dos iraquianos. O capitalismo, como entendeu Karl Marx, quando elimina o governo se torna uma força revolucionária. E essa força revolucionária, melhor descrita como totalitarismo invertido, está nos mergulhando em um estado de neo-feudalismo, guerra perpétua e repressão severa. A decisão da Suprema Corte é parte de nossa transformação, pelo estado corporativo, de cidadãos em prisioneiros.

*Chris Hedges escreve para a Truthdig.com. Ele é autor dos livros War Is A Force That Gives Us Meaning, What Every Person Should Know About War e American Fascists: The Christian Right and the War on America.  Seu livro mais recente é Empire of Illusion: The End of Literacy and the Triumph of Spectacle.


fontes