sábado, 20 de fevereiro de 2010

o maestro cibernético


Aleksey Igudesman & Sebastian Gürtler, together with the Upper Austrian Youth Orchestra in a project called "The Cyber Conductor".
www.musicandcomedy.com
www.ooejo.eduhi.at
www.sebastian.amarcord.at




sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Médicos de Cuba no Haiti: a solidariedade silenciada


Adital : 11.02.10 : CARIBE

José Manzaneda *

Tradução: ADITAL


[Esse texto, traduzido por Adital, é o roteiro do seguinte vídeo, em espanhol: http://www.cubainformacion.tv/index.php?option=com_content&task=view&id=13417&Itemid=86

Você pode inserir seus comentários sobre o vídeo no YouTube e participar no debate: http://www.youtube.com/watch?v=6DikHDHXvL0]


Os aproximadamente 400 cooperantes da Brigada médica cubana no Haiti foram a mais importante assistência sanitária ao povo haitiano durante as primeiras 72 horas após o recente terremoto. Essa informação foi censurada pelos grandes meios de comunicação internacionais.


A ajuda de Cuba ao povo haitiano não começou por ocasião do terremoto. Cuba atua no Haiti desde 1998 desenvolvendo um Plano Integral de Saúde(1), através do qual já passaram mais de 6.000 cooperantes cubanos da saúde. Horas depois da catástrofe, no dia 13 de janeiro, somavam-se à brigada cubana 60 especialistas em catástrofes, componentes do Contingente "Henry Reeve", que voaram de Cuba com medicamentos, soro, plasma e alimentos(2). Os médicos cubanos transformaram o local onde viviam em hospital de campanha, atendendo a milhares de pessoas por dia e realizando centenas de operações cirúrgicas em 5 pontos assistenciais de Porto Príncipe. Além disso, ao redor de 400 jovens do Haiti formados como médicos em Cuba se uniam como reforço à brigada cubana(3).


Os grandes meios silenciaram tudo isso. O diário El País, em 15 de janeiro, publicava uma infografia sobre a "Ajuda financeira e equipamentos de assistência", na qual Cuba nem sequer aparecia dentre os 23 Estados que havia colaborado(4). A cadeia estadunidense Fox News chegava a afirmar que Cuba é dos poucos países vizinhos do Caribe que não prestaram ajuda.

Vozes críticas dos próprios Estados Unidos denunciaram esse tratamento informativo, apesar de que sempre em limitados espaços de difusão.


Sarah Stevens, diretora do Center for Democracy in the Americas(5) dizia no blog The Huffington Post: Se Cuba está disposta a cooperar com os EUA deixando seu espaço aéreo liberado, não deveríamos cooperar com Cuba em iniciativas terrestres que atingem a ambas nações e os interesses comuns de ajudar ao povo haitiano?(6)


Laurence Korb, ex-subsecretário de Defesa e agora vinculado ao Center for American Progress(7), pedia ao governo de Obama "aproveitar a experiência de um vizinho como Cuba" que "tem alguns dos melhores corpos médicos do mundo" e com quem "temos muito o que aprender"(8).


Gary Maybarduk, ex-funcionário do Departamento de Estado propôs entregar às brigadas médicas equipamento duradouro médico com o uso de helicópteros militares dos EUA, para que possam deslocar-se para localidades pouco accessíveis do Haiti(9).


E Steve Clemons, da New America Foudation(10) e editor do blog político The Washington Note(11), afirmava que a colaboração médica entre Cuba e EUA no Haiti poderia gerar a confiança necessária para romper, inclusive, o estancamento que existe nas relações entre Estados Unidos e Cuba durante décadas(12)


Porém, a informação sobre o terremoto do Haiti, procedente de grandes agências de imprensa e de corporações midiáticas situadas nas grandes potências, parece mais a uma campanha de propaganda sobre os donativos dos países e cidadãos mais ricos do mundo. Apesar de que a vulnerabilidade diante da catástrofe por causa da miséria é repetida uma e outra vez pelos grandes meios, nenhum quis se debruçar para analisar o papel das economias da Europa ou dos EUA no empobrecimento do Haiti. O drama desse país está demonstrando uma vez mais a verdadeira natureza dos grandes meios de comunicação: ser o gabinete de imagem dos poderosos do mundo, convertidos em doadores salvadores do povo haitiano quando foram e são, sem paliativos, seus verdadeiros verdugos.


Quadro Informativo 1. Dados da cooperação de Cuba com o Haiti desde 1998:


- Desde dezembro de 1998, Cuba oferece cooperação médica ao povo haitiano através do Programa Integral de Saúde;


- Até hoje trabalharam no setor saúde no Haiti 6.094 colaboradores que realizaram mais de 14 milhões de consultas médicas, mais de 225.000 cirurgias, atendido a mais de 100.000 partos e salvado mais de 230.000 vidas


- Em 2004, após a passagem da tormenta tropical Jeanne pela cidade de Gonaives, Cuba ofereceu sua ajuda com uma brigada de 64 médicos e 12 toneladas de medicamentos.


- 5 Centros de Diagnóstico Integral, construídos por Cuba e pela Venezuela, prestavam serviços ao povo haitiano antes do terremoto.


- Desde 2004 é realizada a Operação Milagre no Haiti e até 31 de dezembro de 2009 haviam sido operados um total de 47.273 haitianos.


- Atualmente, estudam em Cuba um total de 660 jovens haitianos; destes, 541 serão diplomados como médicos.


- Em Cuba já foram formados 917 profissionais, dos quais 570 como médicos. Cuba coopera com o Haiti em setores tais como a agricultura, a energia, a pesca, em comunicações, além de saúde e educação.


- Como resultado da cooperação de Cuba na esfera da educação, foram alfabetizados 160.030 haitianos.


Quadro 2. Dados das atuações do Contingente Internacional de Médicos Cubanos Especializados em Situações de Desastres e Graves Epidemias, Brigada "Henry Reeve", anteriores à cooperação no Haiti:


- Desde sua constituição, a Brigada Henry Reeve cumpriu missões em 7 países, com a presença de 4.156 colaboradores, dos quais 2.840 são médicos.


- Guatemala (Furacão Stan): 8 de outubro de 2005, 687 colaboradores; destes 600 médicos.


- Paquistão (Terremoto): 14 de outubro de 2005, 2 564 colaboradores; destes 1 463 médicos.


- Bolívia (inundações): 3 de fevereiro de 2006-22 de maio, 602 colaboradores; destes, 601 médicos.


- Indonésia (Terremoto): 16 de maio 2006, 135 colaboradores; destes, 78 médicos.


- Peru (Terremoto): 15 de agosto 2007-25 de março 2008, 79 colaboradores; destes, 41 médicos.


- México (inundações): 6 de novembro de 2007 - 26 de dezembro, 54 colaboradores; destes, 39 médicos.


- China (terremoto): 23 de maio 2008-9 de junho, 35 colaboradores; destes, 18 médicos.


- Foram salvas 4 619 pessoas.


- Foram atendidos em consultas médicas 3.083.158 pacientes.


- Operaram (cirurgia) a 18 898 pacientes.


- Foram instalados 36 hospitales de campanha completamente equipados, que foram doados por Cuba (32 ao Paquistão, 2 a Indonésia e 2 a Peru).


- Foram beneficiados com próteses de membros em Cuba 30 pacientes atingidos pelo terremoto do paquistão.

Notas:















Leia também em espanhol:
 
Enviamos médicos y no soldados (Fidel Castro Ruz, Enero 23 de 2010, 5 y 30 p.m.)


* Coordinador de Cubainformación


domingo, 7 de fevereiro de 2010

SÃO PAULO NA CONTRAMÃO


Marília Juste
07/02/10 - 07h00
pescado no Vi o Mundo


Na contramão de São Paulo, projeto nos EUA reverte rios à condição natural

Governo do Estado amplia as pistas na margem do Tietê. Enquanto isso, americanos tentam ‘desurbanizar’ oito rios.

Enquanto o governo de São Paulo amplia as pistas da Marginal do Tietê, nos Estados Unidos um projeto vai na direção contrária: tenta reverter rios do país ao estado original.


O objetivo, segundo os organizadores, não é apenas a preservação ambiental, mas também o bem estar da população. Rios preservados são fontes de água limpa e causam menos enchentes.

O projeto “Rios Sustentáveis” é uma iniciativa da organização The Nature Conservancy em parceria com o Corpo de Engenheiros dos Estados Unidos – órgão responsável pela gestão da maior parte dos recursos hídricos do país.

A proposta está sendo aplicada como teste em oito rios. O primeiro foi o Green River, no estado do Kentucky, que se estende por mais de 600 km, ligado a uma rede de cavernas e que abriga mais de 150 espécies diferentes de peixes. A criação de uma represa alterou o curso do rio, a temperatura da água e atrapalhou a reprodução dos peixes.

Com o projeto, os engenheiros estão revendo como a água é liberada da represa, para deixá-la mais próxima das condições naturais da área.

O Green River é muito diferente do rio Tietê. E, embora entre os rios do projeto existam alguns que passam por áreas urbanas, nenhum atravessa nada parecido com São Paulo, uma das maiores cidades do mundo.

Mas, para Andy Warner, coordenador do projeto, a proposta é apenas o primeiro passo. “Temos oito rios para teste, para mostrar que isso é possível. Mas nossa ambição é grande. Queremos levar isso para todos os rios dos Estados Unidos, mesmo nos grandes centros”, afirma Warner.

Para ele, a tendência mundial é essa: reduzir a urbanização e reverter os rios à sua condição natural. Mas isso seria possível em uma cidade com mais de 11 milhões de habitantes?

Para Warner, sim. “Na minha experiência, essa história de que há um conflito entre o social e o ambiental, entre o desenvolvimento e a preservação, é besteira. É perfeitamente possível – e desejável -- que os dois convivam pacificamente. É preciso pensar de maneira criativa”.

Mestre em ciência hídrica e formado em gestão de recursos hídricos, Warner explica que “rios precisam de espaço”. “As cidades precisam se desenvolver, mas não podem prensar seus rios. É preciso levar em conta o período das cheias e não invadir os locais que alagam em algumas épocas do ano quando eles estão secos”, afirma.

'Alternativa saudável'

Para o engenheiro ambiental Antônio Carlos de Oliveira, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), o projeto americano é “uma alternativa saudável para minimizar os impactos causados pelo homem e a urbanização”. “É uma ação contrária ao que se está realizando na Marginal Tietê”, afirma.

Mas ele não acredita que algo parecido seja possível na cidade, ou mesmo em outros pontos do Brasil. “Não creio nessa possibilidade por várias razões, mas a principal é a crônica falta de planejamento urbano e as suas distorções”, disse.

 “Atualmente a população urbana brasileira é cerca de 90%, segundo dados do Ministério das Cidades. Esse grau de urbanização se deu de forma não controlada e contribuiu muito significativamente para a ocupação de áreas de risco, em morros e principalmente ao longo de córregos e riachos, pela população de menor poder aquisitivo. Ao longo dos anos, o poder público fez vista grossa a essa situação, de tal forma que o crescimento desordenado dessa ocupação em muito contribui para o aumento dos problemas atuais”, afirma o engenheiro.

"Uma ação de retomada dessas áreas pode significar um elevado custo social que poucos administradores poderão ou ousarão pagar”, avalia.

Tietê

A Dersa, responsável pela obra na Marginal Tietê, afirma que o governo vai plantar um total de 167 mil árvores no entorno da via, nos bairros próximos e no Parque Ecológico do Tietê, para compensar o impacto ambiental das novas pistas.

 “O aumento do verde propiciará redução da poluição e da temperatura média na região. Mais verde, somado a mais pistas e acessos, proporcionarão aos 1.700 usuários diários da Marginal Tietê uma via mais bonita, redução de 35% no tempo médio de viagem (que significa ainda redução da emissão de dióxido de carbano e melhoria da qualidade do ar) e no desperdício de combustível em aproximadamente 300 mil litros/dia”, afirmou a empresa em nota.

"Ainda como compensação pela obra, serão construídos 24 km da Estrada Parque com ciclovia, que integra o Projeto Várzeas do Tietê, da Secretaria de Energia e Saneamento, e que preservará a várzea do rio Tietê entre a barragem da Penha, em São Paulo, e o município de Salesópolis. Também estão sendo desenvolvidos projetos para mais três núcleos com infra-estrutura de lazer para a população”, informa a nota.

De acordo com a empresa, "a compensação ambiental da Marginal corresponde a 14% do valor da obra, o que a coloca entre as maiores do mundo”.


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