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sexta-feira, 9 de março de 2012

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Oração do Descrente


Um padre aqui da paróquia,

baixinho, me confessou

que nunca, jamais, de Deus

ele desacreditou.

Só uma dúvida persiste:

“quem é - se é que existe -

o pai do pai do Senhor?

Se antes do nada era Deus,

antes de Deus era o que?

E se até nem mesmo Ele

um dia venha a saber?”

O padre se perguntava,

em claro à noite ficava,

buscando a si responder.

Mas que maluquice é essa,

ora padre, vá dormir!

“Estou orando, ora filho!

Na hora o sono há de vir.

Só quando souber eu vou,

quem é que é o meu avô,

tão querendo me iludir?




segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

As mulheres do MST


. texto denso e necessário

. . em tempos de demonização do MST

. . . escrito por MARIA ORLANDA PINASSI

. . publicado no Nassif

. vá lá - aqui - pra ler


domingo, 26 de dezembro de 2010

Gabriel García Márquez : Estas sinistras festas de Natal


. o escritor colombiano escreveu, há 30 anos, em artigo para o El País
. . pescado no Vi o Mundo
. . . e no Vermelho

* * *

Ninguém mais se lembra de Deus no Natal. Há tanto barulho de cornetas e de fogos de artifício, tantas grinaldas de fogos coloridos, tantos inocentes perus degolados e tantas angústias de dinheiro para se ficar bem acima dos recursos reais de que dispomos que a gente se pergunta se sobra algum tempo para alguém se dar conta de que uma bagunça dessas é para celebrar o aniversário de um menino que nasceu há 2 mil anos em uma manjedoura miserável, a pouca distância de onde havia nascido, uns mil anos antes, o rei Davi.

Cerca de 954 milhões de cristãos – quase 1 bilhão deles, portanto – acreditam que esse menino era Deus encarnado, mas muitos o celebram como se na verdade não acreditassem nisso. Celebram, além disso, muitos milhões que nunca acreditaram, mas que gostam de festas e muitos outros que estariam dispostos a virar o mundo de ponta cabeça para que ninguém continuasse acreditando. Seria interessante averiguar quantos deles acreditam também no fundo de sua alma que o Natal de agora é uma festa abominável e não se atrevem a dizê-lo por um preconceito que já não é religioso, mas social.

O mais grave de tudo é o desastre cultural que estas festas de Natal pervertidas estão causando na América Latina. Antes, quando tínhamos apenas costumes herdados da Espanha, os presépios domésticos eram prodígios de imaginação familiar. O menino Jesus era maior que o boi, as casinhas nas colinas eram maiores que a Virgem e ninguém se fixava em anacronismos: a paisagem de Belém era complementada com um trenzinho de arame, com um pato de pelúcia maior que um leão que nadava no espelho da sala ou com um guarda de trânsito que dirigia um rebanho de cordeiros em uma esquina de Jerusalém.

Por cima de tudo, se colocava uma estrela de papel dourado com uma lâmpada no centro e um raio de seda amarela que deveria indicar aos Reis Magos o caminho da salvação. O resultado era na realidade feio, mas se parecia conosco e claro que era melhor que tantos quadros primitivos mal copiados do alfandegário Rousseau.

A mistificação começou com o costume de que os brinquedos não fossem trazidos pelos Reis Magos – como acontece na Espanha, com toda razão –, mas pelo menino Jesus. As crianças dormíamos mais cedo para que os brinquedos nos chegassem logo e éramos felizes ouvindo as mentiras poéticas dos adultos.

No entanto, eu não tinha mais do que cinco anos quando alguém na minha casa decidiu que já era hora de me revelar a verdade. Foi uma desilusão não apenas porque eu acreditava de verdade que era o menino Jesus que trazia os brinquedos, mas também porque teria gostado de continuar acreditando. Além disso, por uma pura lógica de adulto, eu pensei então que os outros mistérios católicos eram inventados pelos pais para entreter aos filhos e fiquei no limbo.

Naquele dia – como diziam os professores jesuítas na escola primária –, eu perdi a inocência, pois descobri que as crianças tampouco eram trazidas pelas cegonhas desde Paris, que é algo que eu ainda gostaria de continuar acreditando para pensar mais no amor e menos na pílula.

Tudo isso mudou nos últimos 30 anos, mediante uma operação comercial de proporções mundiais que é, ao mesmo tempo, uma devastadora agressão cultural. O menino Jesus foi destronado pela Santa Claus dos gringos e dos ingleses, que é o mesmo Papai Noel dos franceses e aos que conhecemos de mais. Chegou-nos com o trenó levado por um alce e o saco carregado de brinquedos sob uma fantástica tempestade de neve.

Na verdade, este usurpador com nariz de cervejeiro é simplesmente o bom São Nicolau, um santo de quem eu gosto muito e porque é do meu avô o coronel, mas que não tem nada a ver com o Natal e menos ainda com a véspera de Natal tropical da América Latina.

Segundo a lenda nórdica, São Nicolau reconstruiu e reviveu a vários estudantes que haviam sido esquartejados por um urso na neve e por isso era proclamado o patrono das crianças. Mas sua festa é celebrada em 6 de dezembro, e não no dia 25. A lenda se tornou institucional nas províncias germânicas do Norte no final do século 18, junto à árvore dos brinquedos e a pouco mais de cem anos chegou à Grã-Bretanha e à França.

Em seguida, chegou aos Estados Unidos, e estes mandaram a lenda para a América Latina, com toda uma cultura de contrabando: a neve artificial, as velas coloridas, o peru recheado e estes quinze dias de consumismo frenético a que muito poucos nos atrevemos a escapar.

No entanto, talvez o mais sinistro destes Natais de consumo seja a estética miserável que trouxeram com elas: esses cartões postais indigentes, essas cordinhas de luzes coloridas, esses sinos de vidro, essas coroas de flores penduradas nas portas, essas músicas de idiotas que são traduções malfeitas do inglês e tantas outras gloriosas asneiras para as quais nem sequer valia a pena ter sido inventada a eletricidade.

Tudo isso em torno da festa mais espantosa do ano. Uma noite infernal em que as crianças não podem dormir com a casa cheia de bêbados que erram de porta buscando onde desaguar ou perseguindo a esposa de outro que acidentalmente teve a sorte de ficar dormido na sala.

Mentira: não é uma noite de paz e amor, mas o contrário. É a ocasião solene das pessoas de quem não gostamos. A oportunidade providencial de sair finalmente dos compromissos adiados porque indesejáveis: o convite ao pobre cego que ninguém convida, à prima Isabel que ficou viúva há 15 anos, à avó paralítica que ninguém se atreve a exibir.

É a alegria por decreto, o carinho por piedade, o momento de dar presente porque nos dão presentes e de chorar em público sem dar explicações. É a hora feliz de que os convidados bebam tudo o que sobrou do Natal anterior: o creme de menta, o licor de chocolate, o vinho passado.

Não é raro, como aconteceu frequentemente, que a festa acabe a tiros. Nem tampouco é raro que as crianças – vendo tantas coisas atrozes – terminem acreditando de verdade que o menino Jesus não nasceu em Belém, mas nos Estados Unidos.



segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Brasil multicolor

. a velha midia brasileira mostrou um

. . mapa em 2 cores para indicar

. . . onde cada candidato tinha ganhado

. . . . isso leva a uma interpretação equivocada

. . . . . de que o Brasil ficou dividido depois da eleições

. . . . . . o que interessa obviamente a alguns setores

. . . . . . . mas esse mapa de 2 cores mostra apenas o sim e o não

. . . . . . . . ou estão comigo, ou são do mal (quem tem medo do lobo mau?)

. . . . . . . . . mas podemosinterpretar as coisas de outra forma

. . . . . . . . . . alguns estados a vitória foi por grade diferença

. . . . . . . . . 80% a 20%, por exemplo

. . . . . . . . em outros foi muito próxima

. . . . . . . 51% a 49%

. . . . . . e aí as cores são outras

. . . . . o design e ilustrador Bruno Barros, visite o sítio dele

. . . . fez este outro mapa com as nuances de cores

. . . correspondendo às nuances nas proporções de votação

. . assim não há 2 Brasis como querem alguns

. e um único Brasil cada vez mais forte




clique para ampliar


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

nosotros

. nosotros los mexicanos

. . pero sirve para nosotros también




sexta-feira, 9 de abril de 2010

79º Fórum do Comitê Paulista para a Década da Cultura de Paz


parceria UNESCO – Palas Athena

 

MITOS, RITOS E SÍMBOLOS EM BUSCA DE SIGNIFICADO 

- ALICERÇANDO A PAZ -


a cargo de Robert Walter

 

Nos parágrafos finais do livro Mitologia Criativa de Joseph Campbell, o quarto e ultimo volume de sua série As Máscaras de Deus, ele nos oferece a seguinte avaliação do mundo moderno: “Agora não há mais nada que perdure. Os mitos conhecidos não conseguem persistir. Hoje não há horizontes, nem zona mitogenética”.


E não nos foram dadas respostas. Ao invés disso, temos um legado feito de uma coleção errática de estórias de segunda-mão, algumas mais vibrantes e poderosas, mais contagiantes ou divertidas do que as outras: os mitos. Mas cada estória expressa, para uma pessoa, a verdade – e para outra, uma fantasia desvairada. 


Neste fórum veremos porque as mitologias dominantes que organizaram e guiaram as civilizações por milênios estão hoje mortas ou definhando – por vezes levando a dissonâncias cognitivas, não raro fermentando discórdia cultural, e em geral chegando até a contribuir para um mal estar generalizado.


Vendo-nos desprovidos de uma mitologia comum viável, exploraremos a relevância ou irrelevância da própria mitologia num mundo abarrotado de “alimento” processado industrialmente e embrulhado em plástico, mas onde, paradoxalmente, o grito da violência permeia a vida cotidiana.


Refletiremos então sobre nossa necessidade de mitologias que encontrem ressonância com a sociedade global cada vez mais interdependente, e sobre o por quê de cada pessoa precisar uma identidade mítica para sobreviver e se dar bem em tempos de mudanças rápidas. Pensaremos também sobre como transcender a violência primeva, co-criando uma nova mitologia para alicerçar a paz.


Campbell oferece ainda uma outra pista quando dá seguimento aos comentários acima dizendo: “Ou melhor, a zona mitogenética é o coração humano. O individualismo e o pluralismo espontâneos são, no mundo moderno, as únicas possibilidades honestas: cada qual o centro criativo de autoridade para si mesmo”. Como Campbell disse alhures: “Os mitos de amanhã estão na psique dos artistas de hoje”.

 

ROBERT WALTER - Atualmente diretor executivo da Joseph Campbell Foundation, onde iniciou seu trabalho com mitos junto ao próprio Campbell, em 1979, quando ainda era produtor, diretor e escritor teatral na Broadway, e produtor da Royal Shakespeare Company. Seu trabalho com interpretações mitológicas oferece a oportunidade de compreender com clareza os anseios e medos de nossa sociedade contemporânea.


ENTRADA FRANCA 


13 de abril de 2010 ▪ terça-feira ▪ 19 horas

Auditório do MASP ▪ Museu de Arte de São Paulo

Av. Paulista, 1578 - São Paulo/SP - (Estação Trianon-Masp do Metrô)

Informações: Palas Athena (11) 3266-6188


Realização: Comitê Paulista para a Década da Cultura de Paz

www.comitepaz.org.br - www.palasathena.org.br 


Palas Athena

Rua Leôncio de Carvalho, 99 - Paraíso

Tel (11) 3266 6188


www.palasathena.org.br



quinta-feira, 1 de abril de 2010

manchetes de hoje

As manchetes de hoje segundo o blog Apocalipse Motorizado

Lula aumenta IPI para automóveis
Depois de quase um ano de mamata, imposto sobe em média 40% para os carros particulares. Compradores de SUVs pagarão até 70% mais de imposto que os demais.

Governo do Estado vai remover a Nova Marginal em 10 meses
Último decreto de Serra no governo prevê transformação das pistas em parque e ciclovia. Estudo indica a mesma solução para a “pista expressa”

Serra assume: “Nova Marginal foi o meu Minhocão”
Arrependido, Governador promete ainda investigar supostos desvios de verba da obra para caixa de campanha e diz que o reinado das construtoras acabou em São Paulo

Maluf se arrepende: “O Minhocão foi a minha Nova Marginal”
Ex-governador diz que jamais teria construído a pista expressa se soubesse a degradação que ela provocaria no centro da cidade

Alexandre de Moraes renuncia aos três cargos e três carros que ocupa
Ex multi-secretário declarou que só vai andar a pé e de transporte público e promete se dedicar apenas ao estudo do Código de Trânsito Brasileiro no próximo ano

Estacionar em São Paulo: só de um lado da rua
Estacionamento em espaço público será banido em diversas vias da capital. Áreas ganharão calçadas largas e faixas para bicicletas. “Se você tem um carro, deve ser responsável por encontrar um lugar privado para guarda-lo”, afirma novo presidente da CET

Denatran proibe vidros escuros em todo o país
Órgão afirma que o “insul-film” é uma das maiores ameaças à segurança nas ruas, colocando em risco especialmente pedestres e ciclistas

Paulistanos são os que mais respeitam a faixa de pedestres
Pesquisa revela que os motoristas da capital lideram o ranking de metrópoles onde o respeito à vida é mais importante que a pressa

Transporte coletivo terá tarifa zero a partir de maio
Gratuidade começa a vigorar no Dia do Trabalhador e será subsidiada pelo IPVA, pela arrecadação dos pedágios e multas de trânsito. Medida também deve acabar com a máfia do transporte na capital.

“Carros movidos a eletricidade e hidrogênio são engambelações da indústria automobilística”, afirma presidente da Fiat
Em coletiva na sede da empresa, representante da montadora diz que indústria automobilística se aproxima de Hollywood ao propagar soluções de ficção científica. O executivo aponta o espaço ocupado e a degradação do ambiente urbano como os maiores impactos do automóvel nas cidades

Jornais e revistas banem propagandas de automóveis
Em comunicado oficial, a ANJ declarou que as propagandas de veículos causam danos públicos irreparáveis, além de consumirem muito papel. Emissoras de TV estudam adotar a medida até o final do ano.

Expansão da rede sobre trilhos não será mais feita em ritmo eleitoral em SP
Inauguração de estações e linhas será feita periodicamente, e não apenas a cada quatro anos

Pelo terceiro ano consecutivo, nenhum ciclista foi morto em São Paulo
Diminuição no número de incidentes foi conquistada com a instauração do respeito à vida. Motoristas atestam: “reduzir a velocidade e ultrapassar as bicicletas mantendo uma distância segura é muito mais fácil do que se imagina”

Ferrovias: prioridade para todos os candidatos à Presidencia
Todos concordam: trens de passageiros e cargas são a iniciativa mais importante na área de transportes do Governo Federal. Estimativa é que as grandes e médias cidades do país estejam interligadas por trilhos em sete anos

Lula sanciona lei que reduz velocidade máxima nas áreas urbanas
Nas vias expressas, velocidade máxima será de 70km/h. Limite nas ruas e avenidas cai para 50km/h e nas áreas residenciais veículos não poderão ultrapassar os 40km/h. Expectativa é reduzir em até 70% o número mortes no trânsito.

Primeira linha de bonde em SP começa a funcionar em Junho
Ligação entre os bairros do Jabaquara e Pompeia é a primeira do projeto Vá de Bonde, que prevê 300km de trilhos nas principais avenidas da capital até a metade de 2011

São Paulo atinge 50 km de calçadas reformadas por mês
Média é alcançada depois do poder público assumir a responsabilidade pelas áreas de pedestre, e não apenas pelas faixas de circulação de veículos

Metrô e CPTM adaptam vagões e liberam entrada de ciclistas todos os dias da semana
Otimização do espaço nos trens permite que até 4 bicicletas sejam transportadas nos vagões sem atrapalhar os passageiros. Estações também terão rampas para as bicicletas nas escadas até o final do mês

Prédios construídos perto do metrô: uma vaga de garagem por apartamento
Lei aprovada pela Câmara estabelece que novas construções em um raio de até 6km de estações do metrô só podem ter uma vaga por apartamento. Kassab apoia e mercado imobiliário festeja a medida.

General Motors vai fabricar bondes e trens-bala
Montadora pretende adaptar 50% de suas fábricas para produzir trens de alta velocidade e bondes

Novo aumento nos combustíveis: litro da Gasolina vai a R$ 9,50 e Álcool sobe para R$7,30
Gás natural também fica mais caro a partir de segunda-feira. Alta causada pelo aumento de impostos sobre combustíveis deve proporcionar mais investimentos em transporte coletivo.

Concessionária vira parque na Zona Leste da capital
Revendedora que ocupava 3 mil metros quadrados será transformada em área de lazer. Com a queda nas vendas, mais de 150 lojas de veículos prometem seguir o exemplo

Centro de SP ganha 10 novos calçadões até o final do ano
Prefeitura irá banir os carros da região central, que tem o transporte coletivo mais abundante da cidade

Vereadores adotam o Dia Sem Carro duas vezes por semana na capital
Adesão de 100% inclui assessores e funcionários da Casa, que passarão a ter contato mais frequente com a realidade da cidade onde vivem. Governos Estadual e Federal devem adotar a medida em seis meses.

Veículo com alarme disparado poderá ser destruído por qualquer cidadão
“Lei Street Fighter” autoriza depredação cidadã em casos de alarmes que toquem por mais de 10 minutos. Prefeitura se compromete a encaminhar os destroços para a reciclagem em até 24h. Motorista infrator não poderá comprar outro veículo por dois anos. Medida deve ajudar a reduzir o número de automóveis nas ruas.

Praças de São Paulo: sem grades e com bancos
Kassab irá remover as cercas de todas as praças e instalar novos bancos com encostos em todas as áreas de lazer municipais. “Sabemos que a violência não será resolvida impedindo as pessoas de usarem os espaços públicos”, declarou o prefeito.

Avenidas construídas sobre córregos e rios terão faixas para bicicletas e parques lineares em 12 meses
Vias nas áreas mais planas da capital serão adaptadas para o uso de bicicleta. Prefeitura cria grupo de estudos para desenterrar 40% dos rios da cidade.

Centro de São Paulo revive após derrubada do Minhocão
Dois meses depois da via expressa ser removida, bares, centros culturais e áreas para pedestres ajudam a revitalizar a região

Empresas de blindagem apresentam prejuízo recorde pelo terceiro ano consecutivo
Setor está praticamente falido em São Paulo. Reocupação dos espaços públicos, uso do transporte coletivo e caminhadas até o trabalho reduziram a violência e tornaram os bairros mais seguros

Frota paulistana de helicópteros será adaptada para voos panorâmicos
Com a falência do transporte de executivos, últimas 15 aeronaves da capital serão inteiramente adaptadas para vôos turísticos

Paulistano lota coberturas públicas para ver a lua cheia
Transformação de terraços privados em áreas abertas à visitação pública permitiu que 3 milhões de paulistanos acompanhassem o nascer da lua na última terça-feira

Última torre de condomínio de luxo é demolida na capital
Decadente e tomado pela criminalidade de colarinho branco, condomínio “Parque” Cidade Jardim  dará lugar a moradias populares, campo de futebol de várzea e horta comunitária

1 milhão de ciclistas devem deixar a capital no feriado de Páscoa
Rotas cicloturísticas até o litoral devem receber o maior movimento. CPTM informou que haverá esquema especial de trens no domingo para trazer os ciclistas de volta

Taxista e motorista de ônibus intermunicipal dividem prêmio Motorista Cidadão
Vencedores ganharão uma viagem de trem até o litoral maranhense



terça-feira, 26 de janeiro de 2010

de cidadãos a prisioneiros


Democracy in America Is a Useful Fiction

por Chris Hedges*, no Common Dreams, por sugestão do Marco Aurélio
pescado no Vi o Mundo



As forças corporativas, bem antes da decisão da Suprema Corte no processo Cidadãos Unidos vs. Comissão Eleitoral Federal [nessa decisão, a maioria da Suprema Corte dos Estados Unidos reduziu os limites para as doações financeiras das corporações no processo político], deram um golpe de estado em câmera lenta. O golpe acabou. Perdemos. A decisão é apenas mais uma tentativa judicial de reduzir os mecanismos de controle corporativo. Expõe o mito de uma democracia em funcionamento e o triunfo do poder corporativo. Mas não altera o quadro politico. O estado corporativo está firmemente cimentado em seu lugar.


A ficção da democracia permanece útil, não apenas para as corporações, mas para nossa classe liberal falida. Se a ficção for seriamente desafiada, os liberais serão forçados a considerar a resistência, o que não será prazeiroso, nem fácil. Enquanto a fachada democrática existir, os liberais podem se engajar em posturas morais vazias que requerem pequeno sacrifício ou compromisso. Eles podem ser os líderes auto-indicados do Partido Democrata, agindo como se fossem parte do debate e se sentindo vingados com seus gritos de protesto.


Muito do protesto expresso sobre a decisão da Suprema Corte é ultraje daqueles que preferem essa coreografia. Enquanto ela existir, eles não precisam se preocupar em como combater o que o filósofo político Sheldon Wolin chama de nosso sistema de "totalitarismo invertido".

Ele representa "a chegada ao período do poder corporativo e da desmobilização política da cidadania", escreveu Wolin em seu livro Democracia Inc. O totalitarismo invertido difere das formas clássicas de totalitarismo, que giram em torno de um líder demagógico ou carismático, e encontra sua expressão no anonimato do estado corporativo. 

As forças corporativas por trás do totalitarismo invertido não fazem como os movimentos totalitários clássicos, que anunciam a substituição de estruturas decadentes por estruturas revolucionárias. O totalitarismo invertido supostamente honra a política eleitoral, a liberdade e a Constituição. Mas faz isso de forma tão corrupta e manipuladora das ferramentas do poder que torna a democracia impossível.

Totalitarismo invertido não é conceituado como uma ideologia, nem é tema de políticas públicas. Ele avança através de "autoridades e cidadãos que muitas vezes parecem não se dar conta das consequências de suas ações ou inações", Wolin escreve. Mas é tão perigoso quanto as formas clássicas do totalitarismo. Em um sistema de totalitarismo invertido, como a decisão da Suprema Corte ilustra, não é necessário reescrever a Constituição, como regimes fascistas ou comunistas fazem. É suficiente explorar os meios de poder legítimos através da interpretação legislativa ou judicial.


Essa exploração assegura que grandes contribuições de campanha das corporações sejam protegidas como "direito à liberdade de expressão" sob a Primeira Emenda [da Constituição dos Estados Unidos]. Assegura que a atividade lobista organizada e pesadamente financiada pelas grandes corporações seja interpretada como protegida pelo direito da população de peticionar ao governo. Aqueles que dentro das corporações cometem crimes podem evitar a cadeia pagando grandes somas de dinheiro ao governo enquanto, de acordo com a interpretação judicial, não "admitem qualquer crime". Existe uma palavra para isso. É chamado corrupção.


As corporações tem 35 mil lobistas em Washington e milhares mais em capitais estaduais para dar dinheiro, formatar e escrever leis. Elas usam os chamados comitês de ação política para obter de seus empregados e acionistas dinheiro para dar a candidatos amigáveis. O setor financeiro, por exemplo, gastou mais de 5 bilhões de dólares em campanhas políticas, ações de influência política ou lobistas na década passada, o que resultou em profunda desregulamentação, o furto de consumidores, o derretimento financeiro global e a pilhagem subsequente do Tesouro dos Estados Unidos.


Os Fabricantes e Pesquisadores Farmacêuticos dos Estados Unidos gastaram 26 milhões de dólares no ano passado e companhias como a Pfizer, Amgen e Eli Lilly deram dezenas de milhões mais para comprar os dois partidos. Essas corporações fizeram da assim chamada reforma do sistema de saúde uma lei que vai nos forçar a comprar produtos defeituosos e predatórios.


A indústria de gás e petróleo, a indústria do carvão, os empreiteiros da Defesa e as companhias de telecomunicações bloquearam a busca por energia sustentável e orquestraram a constante erosão das liberdades civis. Políticos defendem as corporações e promovem atos superficiais de teatro político para manter a ficção de que o estado democrático está vivo.

Não existe instituição nacional que possa ser caracterizada como democrática. Os cidadãos, em vez de participar do poder, podem ter opiniões virtuais sobre questões pré-determinadas, uma forma de fascismo participativo tão sem sentido quando votar no "American Idol" [o Big Brother dos Estados Unidos].


Emoções de massa são estimuladas nas chamadas "guerras culturais". Isso nos permite assumir posições emocionais em questões que são inconsequentes para a elite política.


Nossa transformação em um império, como aconteceu com Atenas e Roma, viu a tirania que praticamos no estrangeiro se transformar na tirania que praticamos em casa. Nós, como todos os impérios, fomos destruídos pelo nosso próprio expansionismo. Nós utilizamos armas de terrível poder destruidor, subsidiamos o desenvolvimento delas com bilhões de dólares de dinheiro público e somos os maiores vendedores de armas do mundo. E a Constituição, como Wolin nota, é usada "para servir aos aprendizes do poder, não como a consciência deles".


"O totalitarismo invertido inverte as coisas", Wolin escreve. "É política o tempo todo, mas largamente despotilizada. Disputas partidárias são ocasionalmente apresentadas em público e há a constante disputa entre facções de partidos, grupos de interesse, competidores corporativos e grupos de mídia rivais. E há, naturalmente, o momento culminante das eleições nacionais, quando a atenção da Nação é exigida para fazer a escolha entre personalidades, em vez de alternativas de poder. O que está ausente é o político, o compromisso de encontrar onde fica o bem comum no meio dos interesses bem financiados, altamente organizados e que com um mar de dinheiro vivo praticam a subversão do governo representativo e da administração pública".

Hollywood, a indústria de notícias e a televisão, todas controladas por corporações, se tornaram instrumentos do totalitarismo invertido. Eles censuram ou fazem ridículo daqueles que criticam ou desafiam as estruturas corporativas. Eles saturam as ondas com controvérsias fabricadas, seja [o escândalo envolvendo o golfista] Tiger Woods ou a disputa entre [os apresentadores de TV] Jay Leno e Conan O'Brien.


Eles manipulam imagens para nos fazer confundir sensações com conhecimento, que foi como Barack Obama se tornou presidente. E o controle interno empregado pelo Departamento de Segurança da Pátria, os militares e a polícia sobre qualquer forma de dissidência interna, junto com a censura da mídia corporativa, fazem pelo totalitarismo invertido o que as tropas de choque e as fogueiras de livros fizeram pelos regimes totalitários clássicos.


"Parece um replay da experiência histórica que a distorção praticada pela mídia de hoje tenha como alvo consistente as sobras do liberalismo", Wolin escreveu. "Faz-me lembrar que um elemento comum do totalitarismo do século 20, seja Fascismo ou Stalinismo, era a hostilidade em relação à esquerda. Nos Estados Unidos, a esquerda é considerada espaço exclusivo de liberais, ocasionalmente a "ala esquerda do Partido Democrata", nunca de democratas".


Liberais, socialistas, sindicalistas, jornalistas e intelectuais independentes, muitos dos quais um dia foram vozes importantes de nossa sociedade, foram silenciados ou foram alvo de eliminação dentro da universidade, da mídia e do governo controlados pelas corporações. Wolin, que foi professor em Berkeley e mais tarde em Princeton, é um dos mais importantes filósofos políticos do país. Ainda assim seu novo livro foi virtualmente ignorado. Também é por isso que Ralph Nader, Dennis Kucinich e Cynthia McKinney, assim como intelectuais como Noam Chomsky, não fazem parte de nosso discurso nacional.

A uniformidade de opiniões é reforçada pelas emoções orquestradas pelo nacionalismo e pelo patriotismo, que descrevem os dissidentes como "fracos" ou "não patriotas". O cidadão "patriota", com medo de perder emprego e de possíveis ataques terroristas, dá apoio ao monitoramento indiscriminado e ao estado militarizado. Isso significa não questionar o 1 trilhão de dólares em gastos relacionados à defesa. Isso significa manter as agências militares e de inteligência acima do governo, como se não fizessem parte dele. Os mais poderosos instrumentos do poder e do controle estatais foram removidos das discussões públicas.

Nós, como cidadãos imperiais, somos ensinados a desprezar a burocracia governamental; ainda assim, ficamos como carneiros diante dos agentes da Segurança da Pátria em aeroportos e ficamos mudos quando o Congresso permite que nossa correspondência e nossas conversas sejam monitoradas e arquivadas. Estamos sob maior controle estatal do que em qualquer outra época da História americana.


A linguagem cívica, patriótica e política que usamos para nos descrever permanece a mesma. Demonstramos lealdade aos mesmos símbolos nacionais e iconografia. Encontramos nossa identidade coletiva nos mesmos mitos nacionais. Continuamos a deificar os Pais Fundadores. Mas os Estados Unidos que celebramos é uma ilusão. Não existem. Nosso governo e nosso judiciário não tem soberania. Nossa imprensa oferece diversão, não informação. Nossos órgãos de segurança e poder nos mantém tão domesticados e amedrontados quanto a maioria dos iraquianos. O capitalismo, como entendeu Karl Marx, quando elimina o governo se torna uma força revolucionária. E essa força revolucionária, melhor descrita como totalitarismo invertido, está nos mergulhando em um estado de neo-feudalismo, guerra perpétua e repressão severa. A decisão da Suprema Corte é parte de nossa transformação, pelo estado corporativo, de cidadãos em prisioneiros.

*Chris Hedges escreve para a Truthdig.com. Ele é autor dos livros War Is A Force That Gives Us Meaning, What Every Person Should Know About War e American Fascists: The Christian Right and the War on America.  Seu livro mais recente é Empire of Illusion: The End of Literacy and the Triumph of Spectacle.


fontes