terça-feira, 1 de setembro de 2009

esse é o cara …


. quem é ?

Swedish television broadcast from 1969
3min 40seg




terça-feira, 4 de agosto de 2009

Campanha do registro de nascimento gratuito beneficia população de rua

03.08.09 - BRASIL

Fortaleza - Adital


Sete meses após o lançamento da Campanha de Natal que fornece registro de nascimento gratuito para moradores de rua, a parceria entre a Associação dos Notários e Registradores do Ceará (Anoreg/CE) e a Pastoral do Povo da Rua da Arquidiocese de Fortaleza continua a todo vapor.


De acordo com Fernanda Gonçalves, secretária Executiva da Pastoral do Povo da Rua, o trabalho com a Anoreg é de grande importância e benefício para os moradores de rua. Ela relembra o momento em que a Pastoral foi procurada pelo presidente da Anoreg/Ceará, Jaime Araripe. Segundo ela, foi ele quem lançou a ideia e propôs a parceria. "Ele é um homem de muita sensibilidade e viu a necessidade dos moradores de rua", diz.


Fernanda ressalta a importância de se ter o documento, "o registro de nascimento é a porta de entrada para a cidadania, pois sem ele a pessoa não existe para o Estado". É a partir do registro de nascimento que a pessoa tira seu RG, depois o CPF, Título de Eleitor, além de ter acesso facilitado aos serviços públicos como de saúde.


Desde o lançamento da Campanha em dezembro do ano passado até agora, cerca de 50 pessoas receberam seus registros de nascimento. Só em junho foram emitidos mais de dez registros e, embora seja um número baixo, a secretária comemora, já que uma das características dos moradores de rua, segundo ela, é viver no anonimato. "Algumas dessas pessoas cortaram laços com a família, outras têm problemas com a justiça, o que faz com que elas não queiram ter documentos para não terem que enfrentar a lei", esclarece.


Mas o trabalho continua e o Ceará tem recebido pedidos de outros estados da federação. "Em julho recebemos demandas de São Paulo, Paraíba e Brasília", explica.


Na maioria dos casos os moradores já foram registrados quando crianças, mas por viverem na rua, não têm mais o documento. "Pegamos apenas dois casos de pessoas que nunca tinham sido registradas", informa Fernanda.

Como fruto deste trabalho, a secretária da Pastoral fala do caso do senhor Alexandro Pereira da Silva, de 75 anos. Segundo ela, o morador de rua, registrado pela campanha, tirou documentos como RG e CPF e conseguiu o Passe Livre e benefício social para o idoso. "Isso é uma conquista, de ser incluído nas políticas públicas, de resgatar sua cidadania", afirma.


Campanha


A Campanha foi elaborada a partir da entrada em vigor, em outubro de 2008, da Lei 11.790, pela qual os cartórios de registro civil passaram a poder realizar a Certidão de Nascimento de adultos de forma direta, sem que haja a necessidade de se ingressar com um processo judicial.


fonte :


quarta-feira, 22 de julho de 2009

INFLUENZA A SEM BLACK-TIE


Publicado em 21 de julho de 2009 às 06:49 
no O Tempo online e no Vi o Mundo  



Fim da espetacularização: a influenza A sem black-tie
Há casos hilários. Ninguém merece, mas acontece!


por Fátima Oliveira, em O Tempo 


Às solicitações para escrever sobre a H1N1, influenza A, resisti enquanto durou a espetacularização da doença. Não opino em momento de crise sanitária para não correr o risco de involuntariamente atropelar as autoridades sanitárias. O manejo da epidemia no Brasil tem sido competente. Meus cumprimentos! Do lugar de formadora de opinião, sigo a ética da responsabilidade ao discorrer sobre qualquer tema. Sei exatamente qual é o meu lugar numa epidemia: fazer a parte que me toca na atenção, segundo mandam as autoridades responsáveis pelo bem-estar comum.


São delas o papel e o lugar, pois detêm a mirada global e a responsabilidade da atenção. Cabe aos serviços e profissionais de saúde o cumprimento do dever da atenção condigna. Acabou-se o frege de black-tie! Quase três meses após diagnosticados os primeiros casos, a transmissão do vírus tornou-se sustentada no Brasil - como na Argentina, Austrália, Canadá, Chile, Estados Unidos, México e Reino Unido -, exigindo mudança de conduta frente a novos casos. O vírus rompeu as fronteiras de um desejado cordão sanitário, está flanando por aí e qualquer pessoa pode pegar. Só nos resta redobrar cuidados pessoais de higiene.


O H1N1, influenza A, é uma doença respiratória aguda (gripe), causada pelo vírus A (H1N1), novo subtipo do vírus da influenza, transmitido de pessoa a pessoa por tosse, espirro e contato com secreções respiratórias de pessoas infectadas.


Eis as novas coordenadas, conforme o Ministério da Saúde: sintomas leves de gripe devem ser atendidos em postos, ambulatórios e consultórios particulares, como em qualquer gripe; e pessoas com fator de risco para complicações (hemoglobinopatias, diabetes, cardiopatias, pneumopatias, doenças renais crônicas e gravidez) serão monitoradas por quem lhes atendeu. O tratamento será definido pelos sintomas e independe de exames laboratoriais.


As evidências “sugerem que o vírus da influenza A (H1N1) apresenta uma dinâmica de transmissão semelhante à da influenza sazonal”; a internação está indicada exclusivamente nos casos de doença respiratória aguda grave - qualquer idade com doença respiratória aguda: febre superior a 38º C, tosse e falta de ar, acompanhada ou não de dor de garganta, manifestações gastrointestinais, desidratação e inapetência, independentes de alterações laboratoriais e radiológicas. “O exame laboratorial para diagnóstico específico de influenza A somente está indicado para: acompanhar casos de doença respiratória aguda grave e em amostras de casos de surtos de síndrome gripal em comunidades fechadas, segundo orientação da vigilância epidemiológica”.


Nem tudo é desgraça. Há casos hilários da classe média metida a rica e dos podres de rico quando chegam ao SUS numa Hilux e “p da vida” porque não há estacionamento para suas joias! Jamais reclamam que seus hospitais de ricos lhes batem as portas na cara nas epidemias. Um colega irado telefonava: “é um absurdo um hospital público fechar uma ala para atender essa ricaiada que tem casa em Miami e vive pra cima e pra baixo de avião”. Um advogado exigia o “exame da gripe suína” para todos de uma escola de ricos, colhidos por mim! Num pronto-socorro! Esturrava que eu era paga com os impostos deles e teria de fazer o que eles queriam! Um portenho na hora do jogo Cruzeiro X Estudiantes recusou-se a ir ao ambulatório de H1N1 influenza A e acionou a polícia, como se ela pudesse passar por cima da autoridade sanitária numa epidemia!


Ninguém merece, mas acontece!


Publicado em     

O Tempo: 21.07.2009 :   

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Também no viomundo :   

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domingo, 19 de julho de 2009

pra que discutir com Madame


3min 24seg


Haroldo Barbosa / Janet de Almeida, 1956

Madame diz que a raça não melhora
Que a vida piora
Por causa do samba
Madame diz que o samba tem pecado
Que o samba coitado
Devia acabar
Madame diz que o samba tem cachaça
Mistura de raça,
Mistura de cor
Madame diz que o samba é democrata
É música barata 
Sem nenhum valor.

Vamos acabar com o samba
Madame não gosta que ninguém sambe
Vive dizendo que samba é vexame
Pra que discutir com madame?

No carnaval que vem também concorro
Meu bloco de morro 
Vai cantar ópera
E na avenida entre mil apertos
Voces vão ver gente cantando concerto
Madame tem um parafuso a menos
Só fala veneno,
Meu Deus que horror
O samba brasileiro democrata
Brasileiro na batata
É que tem valor.


quarta-feira, 8 de julho de 2009

Yo-Yo Ma & Bobby McFerrin


. hush little baby

cello: yo-yo ma
vocal: bobby McFerrin 
violin: mark o'connor  
contra bass: edgar meyer   

2min46seg



terça-feira, 30 de junho de 2009

Boulez: Sur Incises


. Pierre Boulez explica sua peça: Sur Incises


parte 1
9min 43seg



parte 2
9min 57seg



parte 3
7min 29seg



Pierre Boulez conducts one of his pieces, entitled Sur Incises. With the Ensemble InterContemporain. For 3 pianos, 3 harps, and 3 mallet percussion instruments. Taken from the DVD "Éclat".

Sur Incises (extrato) - Ensemble InterContemporain
7min 18seg




terça-feira, 23 de junho de 2009

Guillaume de Machaut (1300 - 1377) § Messe de Notre Dame


A French classical composer, important in the development of polyphonic music. His works include La Messe De Notre Dame, one of the earliest masses, probably composed in 1364, several motets and many songs.

Machaut was born around 1300 in the Champagne region of France. He had a clerical education and took holy orders. In 1323 he joined the royal household of John of Luxembourg, King of Bohemia, and served as secretary in the the king's retinue. He traveled with King John's court, but increasingly spent his time composing rather than in administration, becoming widely respected as a poet and a composer. His first verified composition was a motet written in 1324 for the election of the Archbishop of Rheims. Through the efforts of King John, Machaut was granted several benefices, in particular the canonry of the new Gothic cathedral in Rheims, which was granted in 1337, eventually taking up residency there in 1340. He left his formal work with the king, though remaining in service until the monarch's death at the battle of Crecy in 1346. Machaut had accompanied the king on several military campaigns, including the disastrous battle of Crecy where the king fulfilled his chivalric destiny by charging into the fray, even though he was blind. After the outbreak of the Black Death in France at the end of the 1340's, Machaut prepared eleborate collections of his compositions for his patrons, who included John, Duke of Berry, and the future King Charles V of France. These unique, beautifully illuminated manuscript editions combined motets, ballads, and many other forms with a wide selection of his poetry.

Ensemble Gilles Benchois
Carlos Mena / José Hernandez Pastor / Stephan Van Dick / Hervé Lamy / Jacques Bona / Dominique Vellard
Dir. Dominique Vellard.


1 » 5min 56seg



2 » 7min 06seg



3 » 5min 01seg



4 » 3min 48seg



5 » 5min 52seg



6 » 2min 36seg



7 » 7min 09seg



8 » 1min 39seg



9 » 7min 38seg



10 » 1min 42seg



11 » 3min 42seg



12 » 5min 08seg



13 » 1min 22seg



14 » 1min 39seg




sexta-feira, 19 de junho de 2009

Silence


. só 39 minutos

. . Jan Garbarek
. . Egberto Gismonti
. . Charlie Haden





terça-feira, 16 de junho de 2009

six drummers


. music for one apartment and six drummers

. 9min 31 seg




sexta-feira, 12 de junho de 2009

Edgard Varèse : Ionisation


. em 2 versões

. . Pierre Boulez conducts the Ensemble InterContemporain playing Ionisation by Edgard Varèse.

. . 6min 51seg




. . sem informação de intérprete

. . 5min 13seg





segunda-feira, 8 de junho de 2009

bruxaria


Hermeto e Sivuca 1 - Solos
8min 25seg



Hermeto e Sivuca 2 - Nas Quebradas - Chorinho Para Ele
7min 43seg



Hermeto e Sivuca 3 - Homenagem à velha guarda
4min 50seg



Hermeto e Sivuca 4 - Bebê
7min 26seg



Hermeto e Sivuca 5 - Tico-Tico no Fubá
4min 18 seg



Hermeto e Sivuca 6 - Asa Branca - O ovo
6min 11seg



quinta-feira, 4 de junho de 2009

tico-tico visita Berlin


. quem disse que alemão não toca choro bem

. . pelo menos a Filarmônica de Berlim

. . regida pelo Daniel barenboim

. . mostra porque estão entre os melhores

. . . 4min 5seg





segunda-feira, 1 de junho de 2009

Brahms : Trio nº1 : opus 8


. para começar esta nova etapa

. . nada melhor do que a audição deste

. . . impressionante trio de Brahms


. . Johannes Brahms
. . Trio Piano, violino e violoncello nº1 em Si maior, Op8

. Elena Baschkirova, piano
. . Maxim Vengerov, violino
. . . Boris Pergamenschikow, cello




I. Allegro con brio (1) : 7min 59seg


I. Allegro con brio (2) : 6min 31seg




II. Scherzo (Allegro molto) : 6min 32seg




III. Adagio : 9min 1seg




IV. Allegro : 6min 51seg




sexta-feira, 29 de maio de 2009

encerrando o mês


. com a següinte eqüivalência

. . 3ª idade = juventude acumulada

. . . PS: mas pode ser que eu mude de idéia e ainda poste mais algüma coisa


sábado, 23 de maio de 2009

Martha Argerich plays Bartók's Piano Concerto nº3


Yuri Bashmet : regente
Toho Gakuen Orchestra (Beppu - April 14, 2007)


1º movimento
8min1seg





2º movimento
10min45seg





3º movimento
8min55seg





quarta-feira, 13 de maio de 2009

Nick Vujicic : Perspectiva, visão e escolhas


. palestra em 2 partes de Nick Vujicic : Perspectiva, visão e escolhas


. . 1ª parte [4min57seg]





. . 2ª parte [5min25seg]





sábado, 9 de maio de 2009

Todo mundo é melhor do que pensa que é


Estado de São Paulo 
Sábado, 09 de Maio de 2009 


''Todo mundo é melhor do que pensa que é''

Cerca de um mês antes de sua morte, o diretor Augusto Boal

concedeu esta entrevista em Paris



Taíssa Stivanin, PARIS 


No dia 25 de março, o dramaturgo, diretor e ensaísta Augusto Boal recebeu na sede da Unesco, em Paris, o título de Embaixador Mundial do Teatro. Poucas horas antes, no hall de um hotel na praça da República, na capital francesa, o criador do Teatro do Oprimido concedeu uma de suas últimas entrevistas. Boal, que morreu dia 2, no Rio, aos 78 anos, tinha chegado a Paris um dia antes de nossa conversa. Fui buscá-lo no quarto. Mancando, ele contou que tinha ordens médicas para não deixar o hospital, mas disse que não perderia a oportunidade de receber o prêmio por nada. Se o dramaturgo estava fisicamente tão debilitado, isso só ele sabia. Seu espírito e sua energia continuavam intactos. Bem-humorado, falante, gesticulando muito, e sem pedir nem um copo de água, o dramaturgo conversou sem se cansar. Desse papo, ficou a mensagem que resume sua vida: "Todo mundo pode fazer melhor do que acha que está fazendo." Seu teatro é a descoberta dessa capacidade. 


O sr. acompanha o trabalho do Teatro do Oprimido em Paris?


Em Paris acompanho pouco. Meu filho, Julian Boal, integra um grupo que se chama Grupo do Teatro do Oprimido. Existem vários lugares na França que fazem o teatro do oprimido. O movimento Planning Familial (Planejamento Familiar) o utiliza há muitas décadas em seu trabalho. As escolas e as ONGs também. Acompanho como posso. No site internacional do Teatro do Oprimido, existem mais de 50 países nomeados e 200 grupos. Mesmo no Brasil, ele está presente em todos os Estados, menos no Amazonas, Pará e Roraima, pois custa muito caro desenvolver um projeto por causa da distância. O volume de trabalho é imenso, na Índia, na África. Quando algum grupo introduz uma técnica diferente, a gente tenta seguir. No mais, a gente aplaude.


O sr. vai muito à Escandinávia? Como o trabalho se desenvolveu lá?


Começou na Suécia há 30 anos. Tinha amigos exilados, que nos anos 70 me convidaram para fazer uma oficina. Fui voltando nos anos seguintes. Durante muito anos fui para a Suécia e a Noruega. Mas agora canso muito se pego avião sempre. Meu filho leva o trabalho adiante. O Julian, segundo ele mesmo, faz o mesmo trabalho que eu, mas muito melhor (risos).


Ele acreditou no potencial dele, e essa responsabilidade é sua...


Exatamente, você matou a charada. Dizia para o Julian que ele era melhor do que pensava, ele acreditou. E me respondia: "Sou mesmo." Julian trabalha muito no exterior. Na África, na Ásia. Na Índia, existe a Federação Indiana do Teatro do Oprimido. Em 2006, ela reuniu 12 mil pessoas numa praça em Nova Déli. Foi muito lindo de ver, porque 80% eram mulheres, vestidas com seus saris coloridos.Ver aquelas mulheres resolutas, fortes, gritando slogans, cantando hinos sobre teatro, sobre Arte, foi muito bonito. A Arte, afinal, pertence a elas. O Teatro do Oprimido está espalhado por toda a Índia, pelo Paquistão, pelo Sri Lanka. No Sri Lanka, quando houve o tsunami, eles faziam o arco-íris do desejo no campo de refugiados para tentar entender como ficou a cabeça das pessoas depois de um desastre daquelas proporções. É o que que queremos. Criar multiplicadores criativos. Multiplicar um sistema que já existe.O que importa é para quem você faz. Como aplico esse método para essas pessoas, nesse lugar e com esses problemas?


Como está a aplicação do método nos presídios brasileiros?


A cadeia é o único lugar onde temos problemas para trabalhar, por conta de tanta burocracia. É um trabalho que está parado atualmente, mas tivemos experiências maravilhosas. Havia uma prisão no Estado de São Paulo que parecia um leprosário, ninguém chegava perto de ninguém. Conseguimos trazer os prisioneiros para o meio da praça, usando o teatro-fórum, como se fossem cidadãos livres. Eles entraram em cena e contracenaram com os outros. Deu certo. Os presos aceitaram que estavam pagando pelos crimes que cometeram e voltariam a viver em sociedade se fosse possível. Uma vez fizemos uma peça onde um preso contava sua história, trágica. Ele era inocente e estava preso há dois anos porque não sabia como se defender. Durante sua apresentação, coincidentemente, tinha uma juíza na plateia. Espantada, ela prometeu o alvará de soltura dele e cumpriu. Situações como essas, existem muitas. Numa cadeia paulista onde aplicamos o teatro legislativo, por exemplo, conseguimos fazer creches para as detentas que tinham filhos. O problema é a burocracia. Os funcionários do Depem, órgão que administra as cadeias, são impenetráveis. Na cabeça deles não entra nada. Não compreendem que o que está na lei tem de estar subordinado a um bem maior. Sei que a lei deve ser obedecida. Existe uma lei que diz: é proibido pisar na grama. Não quero pisar na grama, porque acho que é uma lei justa. Mas se uma criança está sendo atacada por um cachorro, você tem de pisar na grama, dar um pontapé no cachorro e salvar a criança. Violar a lei às vezes é necessário. Trabalhamos também com o Ministério da Cultura em 16 Estados, e com o Ministério da Saúde, nos Capes (Centros de Atendimento Psicossocial). Tentamos enquadrar o delírio patológico no delírio estético. Afinal, teatro é uma forma de delírio, uma forma de alucinação.Também trabalhamos em comunidades violentas. A violência ocorre pela obtusidade das pessoas. Alguns continuam nesse caminho, mas outros felizmente entendem que o diálogo é a forma soberana da comunicação.


No contexto da globalização, da sociedade de consumo, o seu método pode ser aplicado da mesma forma que há 30 anos ou precisa ser readaptado levando em consideração as mudanças sociais?


O Teatro do Oprimido se torna mais útil ainda nesses novos tempos. Ele é o contrário da globalização, faz parte da mundialização. A globalização é uma pirâmide da desigualdade. No topo, ficam os ricos, as pessoas desonestas, responsáveis pelo crash da bolsa e a crise mundial. A globalização é uma fagocitação, esses ladrões todos querem comer os outros. É uma coisa antropofágica. A mundialização não. Se você tem um saber, você tem de espalhar esse saber. Não pode ser aquele sábio que vive no topo de uma montanha. Isso me lembra uma piada mineira. O homem pergunta: "Senhor sábio, o que é a vida?" O sábio responde: "Meu filho, a vida é um rio." "Um rio?", desconfia o homem. O sábio vacila: "Uai, não é não?" Esses velhos sábios não me interessam. Temos de ser generosos e solidários com os outros e deixar que eles usufruam do seu saber.


Poderia esclarecer um pouco as derivações do Teatro do Oprimido? Teatro Legislativo, invisível....


O Teatro do Oprimido é uma grande árvore. Essa árvore tem as raízes na ética e na filosofia de humanizar a humanidade. É a nossa base. Depois começam os jogos, para restaurar a capacidade criativa das pessoas. Em seguida, vêm os diversos ramos da árvore, como o teatro invisível, o teatro legislativo, o arco-íris do desejo, que serve para exteriorizar as opressões internalizadas. O mais usado é o teatro-fórum, que significa colocar um problema e discutir teatralmente esse problema. É a forma mais difundida, porque produz resultados mais imediatos. O arco-íris do desejo requer uma reclusão maior, em grupos pequenos. Trata problemas individuais. Todas as formas de teatro são úteis, têm uma função. O sucesso extraordinário desse teatro, no mundo todo, se deve à revelação de que o teatro não é o palco, não são as luzes, não é um texto escrito necessariamente, não é iluminação, não é nada disso. Teatro somos nós. Cada um de nós traz em si mesmo um ator. Nesse momento, por exemplo, estou sendo ator. Estou agindo e ao mesmo tempo sendo espectador. Estou ouvindo o que estou dizendo, minha voz, estou pensando no que vou dizer. Teatro é isso. Você percebe que pode avançar num sentido que não é aquele previsto pela sociedade, tecnicamente e mecanicamente. Você sai da moldagem e passa a ser você mesmo, descobrindo coisas insuspeitadas. Que você é melhor do que você pensa que é. Todo mundo é melhor do que pensa que é. Todo mundo é mais capaz de fazer o que já está fazendo. Meu teatro é a descoberta dessa capacidade.


O que ainda falta fazer?


Já fiz muita coisa e tenho intenção de fazer muitas mais. Estou terminando um livro que se chama As Estéticas do Oprimido. Muita gente fala de diversidade cultural, o que defendo. Mas quando pensa em estética, pensa em uma só. Como ser diverso culturalmente, com uma só estética, se a estética é produto de uma cultura? Por exemplo, aquele pintor norte-americano, Jackson Pollock. Nos Estados Unidos, todo mundo acha que ele é um gênio. Leva uma pintura dele para Bangladesh e pergunta o que vão achar. Tudo isso para dizer que os americanos criam a estética deles, da Guggenheim Foundation. Tudo isso para dizer que não existe uma soberana estética à qual todos nós devemos nos curvar e obedecer.



No ano passado, seu nome teria sido cogitado para o prêmio Nobel da Paz, como recebeu a notícia?


Não tenho nada com isso (risos). Achei muito simpático, principalmente porque recebi indicações dos cinco continentes. Até na Austrália, que é do outro lado do mundo, recebi cartas de apoio.Pelo que soube, o que ficou faltando foi o apoio de algum Prêmio Nobel. Não tem importância, não me preocupo se vou ganhar ou não neste ano. Mas tenho muito orgulho de ter sido indicado. 


E sua história com a química?


Sou engenheiro químico porque meu pai queria que eu fosse doutor e teatro não dava doutorado na época. Tinha uma namorada de quem eu gostava muito e ela foi fazer Química. Fui atrás. Entrei na faculdade e ela não, acabou fazendo Letras. Eu não era o primeiro aluno da sala, mas não era o último. Ficava na média. Mas já esqueci tudo. Só lembro que a fórmula da água é H2O. 


Esta entrevista com Boal foi concedida originalmente à Rádio França Internacional (RFI)



Livro inédito



TESTAMENTO: O Teatro do Oprimido, de Boal, é uma metodologia cênica que ele desenvolveu nos anos 70 e combina drama e ação social. Poucos dias antes de morrer, o embaixador mundial do teatro pela Unesco entregou à editora Garamond o texto final do seu novo livro, A Estética do Oprimido. Já considerado o testamento artístico de Boal, o livro sintetiza suas principais concepções sobre arte e deve ser publicado ainda em 2009. Boal abre o livro com uma dedicatória: "Sinto sincero respeito por todos aqueles artistas que dedicam suas vidas à sua arte - é seu direito ou condição. Mas prefiro aqueles que dedicam sua arte à vida."



fonte: